Pesquisadora busca conhecer os efeitos que as mudanças climáticas causam em anfíbios tropicais.

No dia 29 de outubro foi realizado mais um dos seminários semanais do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/ADAPTA). A apresentação dessa data foi realizada pela pesquisadora Daiani Kochhann, Doutora em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, no INPA, hoje Professora da Universidade Estadual Vale do Acaraú.  O trabalho exposto foi intitulado “Como as mudanças climáticas globais afetam a metamorfose e o comportamento de anfíbios anuros tropicais? ”.

Doutora Daiani Kochhann apresentando seu trabalho para os pesquisadores do LEEM.

Financiada pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) e por Programas de Bolsas de Produtividade em Pesquisa, Estímulo à Interiorização e à Inovação Tecnológica (BPI), também da FUNCAP, a pesquisadora e sua equipe iniciaram o projeto em 2018.

“Decidimos iniciar os estudos com os girinos para tentar entender os efeitos do aumento da temperatura na metamorfose de anfíbios anuros tropicais pois não há nenhuma informação a esse respeito. Como a metamorfose é considerada a fase mais sensível desses animais e essa classe de vertebrados é considerada a mais ameaçada de extinção, esses dados são importantes para entendermos os efeitos das mudanças climáticas globais nos anfíbios”, contou Kochhann.

O seminário da doutora Kochhann apresentou os resultados iniciais sobre a metamorfose de Pithecopus nordestinus também conhecida como a perereca-da-caatinga: “Acompanhamos todo o processo de metamorfose. Durante esse processo, realizamos também o acompanhamento de parâmetros comportamentais como a atividade natatória e a resposta à substância de alarme”, contextualizou Kochhan.

Com o objetivo de compreender como as mudanças climáticas afetam a vida desses anuros, desde a metamorfose do animal e também as respostas antipredação (mecanismo de defesa), os estudos iniciaram na fase de coleta, onde os pesquisadores transferiram as desovas dos anfíbios anuros (as quais ocorrem em uma folha protegida pelos próprios adultos) ao laboratório e acompanharam a eclosão e a fase de metamorfose até o final, onde os animais totalmente desenvolvidos foram devolvidos ao seu ecossistema natural.

É curioso ressaltar que, durante a fase de reabsorção da cauda, os anuros não se alimentam. Kochhann explicou como eles sobrevivem nesse período: “Os animais não se alimentam, pois, o seu aparato alimentar está passando por modificações anatômicas e funcionais. Como a cauda não é uma estrutura útil para o animal no ambiente terrestre, a reabsorção e reaproveitamento dos nutrientes nela contidos é adaptativa para a sobrevivência nessa fase de transição”.

Imagens cedidas pela doutora Kochhann mostram (de cima para baixo), as fases:  girino, jovem e adulto devolvido para a natureza.

Com a pesquisa em andamento, Kochhann relatou o que espera encontrar em seus resultados futuros: “Até o momento fizemos apenas um experimento inicial para verificar a viabilidade do projeto, nele conseguimos acompanhar a metamorfose e realizar os testes de comportamento onde foi possível verificar que a espécie responde à substância de alarme. Para o futuro, pretendemos entender como o aumento da temperatura afeta a metamorfose e o comportamento natatório e antipredatório ao longo desse momento crítico de metamorfose do animal”, concluiu.

Ao fim de sua apresentação, a doutora Kochhann recebeu o certificado do coordenador do ADAPTA Adalberto Val.

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