Pesquisadores estudam o funcionamento da passagem de PCO2 no trato digestivo em peixes.

Na segunda feira, 15 de outubro, o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/ADAPTA) teve mais um dos seus seminários. O convidado da semana foi o doutor Christopher M. Wood, professor do Departamento de Zoologia da Universidade de British Columbia, no Canadá e um dos Pesquisadores Visitantes do projeto Adapta desde 2005. Para sua apresentação, o professor Wood trouxe o tema: “A ameaça interna do CO2 para os peixes”.

O pesquisador Christopher Wood apresentando o seu seminário.

O trabalho teve início em 2017, do qual Wood contou os motivos que o levaram a estudar sobre o tema: “Eu tenho um interesse de pesquisa de longo prazo no trato digestivo de peixes. Através dos anos de pesquisa, aprendi que os níveis de PCO2 (Pressão parcial de CO2 no sangue arterial) são altos no trato digestivo humano, e, portanto, eu me perguntava se o mesmo ocorreria para os peixes”, explicou o pesquisador.

A pesquisa foi elaborada no momento em que os estudiosos começaram a se preocupar com o aumento de CO2 no ambiente: “Há preocupação com o aumento dos níveis de PCO2 no ambiente que o peixe pode enfrentar em um mundo futuro, mas já podem estar lidando com níveis muito mais altos de PCO2 em seus próprios tratos digestivos”, afirmou Wood.

Essa hipótese surgiu quando Wood e seus colaboradores compararam com a situação do trato digestivo humano, pois quando ocorre a flatulência, os níveis de PCO2 crescem seis vezes mais. A partir dessa análise, os cientistas foram investigar se o mesmo aconteceria nos peixes.

Os animais usados para o processo foram o peixe-dourado e a truta arco-íris de água doce: “Medimos diretamente os níveis de PCO2 no trato digestivo, sangue e a cavidade peritoneal desses animais”, relatou Wood.

Os resultados mostraram que, no peixe-dourado em jejum a PCO2 do intestino marcava 10 torr (unidade de pressão), no entanto quando o indivíduo foi alimentado ocorreu um aumento para 15 torr, Wood contou que esses valores foram uniformes por todo o intestino.

Enquanto na truta arco-íris que, em jejum, marcava 8 torr, após alimentada a PCO2 de seu intestino chegou a marcar entre 20 até 40 torr durante a digestão, existindo diferenças regionais: “Houve maior PCO2 no intestino anterior, enquanto nos cecos pilóricos ocorreu uma baixa”, informou Wood.

Até o momento Wood e sua equipe ainda estão em processo de análises: “Se o sangue que passa pelo trato digestivo altamente vascularizado fosse equilibrado com essas tensões de PCO2 altamente elevadas, a regulação ‘ácido-base’ do sangue e o transporte de O2 poderiam ser gravemente comprometidos. No momento, estamos investigando se esse é o caso, e os mecanismos por trás desses fenômenos”, relatou.

O pesquisador contou que pretende, futuramente, estender esses estudos para outras espécies de peixes, além do peixe-dourado e da truta arco-íris, mas também para os peixes marinhos e peixes de água doce tropicais do Brasil.

No fim da apresentação, o pesquisador Adalberto Val entregou o certificado de apresentação para Christopher Wood.

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