Seminário do LEEM discute se peixes tolerantes à hipóxia sofrem dano oxidativo.

Na segunda feira, 24 de setembro, o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/ADAPTA) trouxe mais um de seus seminários. A doutora Ora Wood apresentou o seu trabalho intitulado: “Estresse oxidativo por hipóxia e recuperação em peixe da Amazônia, Cyphocharax abramoides”.

Doutora Ora Wood apresentando o seu seminário.

Recebendo apoio do projeto ADAPTA, a doutora Ora Wood e seus colaboradores do departamento de Zoologia da University of British Columbia (UBC) e INPA (LEEM) iniciaram as pesquisas em 2014.

A respeito dos motivos que levaram a pesquisadora a fazer esses estudos, Wood respondeu: “Danos oxidativos são causados ​​por espécies reativas de oxigênio (ROS), a maioria das quais é produzida pelas mitocôndrias. A probabilidade de formação de ROS aumenta à medida que a concentração de elétrons dentro da mitocôndria amplia, como pode acontecer durante a hipóxia, e também na concentração de oxigênio que cresce na reoxigenação. O peixe poderia controlar sua exposição ao oxigênio na reoxigenação, comportamentalmente, se fosse importante”.

Durante a pesquisa, Wood e colaboradores tiveram que determinar quais condições de oxigênio eram consideradas hipóxicas pelos peixes, onde puderam definir através das pressões de oxigênio em que os peixes exibiram primeiro a perda de equilíbrio, o limite inferior hipóxico e, em Pcrit limite superior hipóxico (pressão de oxigênio onde a taxa de respiração cai rapidamente e o peixe não mantem a sua taxa metabólica básica).

Para Cyphocharax abramoides, a doutora Wood constatou: “Descobrimos que todos os danos ao cérebro, brânquias e fígado ocorreram durante a hipóxia, com rápida recuperação no cérebro e brânquias na reoxigenação. O dano oxidativo (formação de peróxidos lipídicos) e a atividade da superóxido dismutase elevada (SOD), que surgiram durante a hipóxia foram mantidos durante a reoxigenação e até o final do experimento, com mais de 3 horas. Além disso, a atividade da glutationa peroxidase (GPx) aumentou durante a reoxigenação, tanto o SOD, quanto GPx são enzimas antioxidantes que combatem as espécies reativas de oxigênio que causam o dano oxidativo”.

A doutora Wood também conceituou seus resultados com a literatura, na qual pode analisar três pontos: O primeiro foi sobre a tendência geral do dano oxidativo na hipóxia, mas não a reoxigenação em peixes tolerantes à hipóxia; o segundo foi a recuperação ou a sustentação do dano oxidativo e níveis mais altos de enzimas associadas em alguns tecidos – oxigenação; e, por último, a importância geral do SOD no fígado durante a exposição e recuperação hipóxica do animal.

A partir desses resultados, a doutora Wood comentou sobre o avanços dos seus estudos: “Eu gostaria de explorar ainda mais a linha do tempo da resposta da produção de ROS e do dano oxidativo em relação à Pcrit ou outra medida do estresse por oxigênio, como na verdade não é conhecido. Sem esse conhecimento, não entendemos a ordem das respostas à hipóxia e não podemos comparar estudos entre espécies diferentes”. Concluiu.

Ao final da apresentação, a doutora Ora Wood recebeu o certificado de participação do doutor Adalberto Val.

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