Cientistas da Universidade de Cadiz estudam a taxa de estresse agudo em tubarões.

Na segunda-feira, 17 de setembro, ocorreu mais um dos seminários do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/ADAPTA). O convidado da semana foi o professor da Universidade de Cadiz (UCA), Ignácio Ruiz-Jarabo com o tema: “Resposta ao estresse agudo em tubarões”.

Dr. Ignácio Jarabo apresentando ao seu seminário.

Iniciado em 2016, a pesquisa de Jarabo e seus colaboradores foi desenhada com o objetivo de caracterizar as taxas de sobrevivência dos tubarões que foram capturados no fundo do Golfo de Cadiz. Várias técnicas foram empregadas, como a gravação de vídeo de processos de recuperação, avaliação das propriedades da textura muscular, análise de parâmetros bioquímicos plasmáticos e incubações cardíacas ex vivo.

“Também tivemos como objetivo avaliar sua recuperação fisiológica para incentivar as partes interessadas e os manejadores da pesca com dados científicos. Assim, após os estudos, os tubarões capturados foram devolvidos ao oceano”, explicou o pesquisador.

As pesquisas contribuíram para a descrição das respostas ao estresse primário e secundário nos tubarões das espécies Scyliorhinus canicula, Mustelus mustelus, Heptranchias perlo, Squaleus blainville, Galeus atlanticus, Galeus melastomus, Etmopterus spinax, Deania profundorum.

Jarabo relatou qual foi a primeira parte dos estudos: “Nesta etapa duas abordagens foram empregadas, a primeira foi um experimento de estresse agudo sob condições controladas em instalações terrestres, complementado por experimentos semelhantes conduzidos a bordo de um navio pesqueiro comercial usando o Scyliorhinus canicula como modelo biológico. A segunda etapa consistiu em um estudo mais complexo para encontrar as causas da mortalidade em diversas espécies de tubarões demersais capturados por arrasto de fundo”.

Na segunda etapa, que ainda está em andamento, o pesquisador procura saber o que diferencia as taxas de mortalidade de cada espécie, mesmo que todas tenham sido abordadas da mesma maneira e geograficamente no mesmo local.

“Seguindo um conjunto abrangente de metodologias, incluindo perfis de textura muscular, bioquímica do sangue e incubações cardíacas ex vivo, nosso estudo ainda não está concluído, mas os resultados são promissores e destacam as grandes diferenças entre espécies de tubarões. Em conclusão, os tubarões mostram estratégias antigas para enfrentar o estresse e surgem como modelos para estudar mecanismos alternativos na fisiologia dos vertebrados”, contou Jarabo.

Até o momento, um dos resultados que Jarabo encontrou foi que as respostas secundárias do estresse agudo incluíram a mobilização de carboidratos e aminoácidos para alimentar os tecidos que demandam energia, como o músculo branco.

A respeito do avanço de suas pesquisas, Jarabo observa: “Os tubarões (e outros elasmobrânquios) mostram estratégias fisiológicas muito antigas que devem ser estudadas e que revelarão soluções fisiológicas únicas. O conhecimento da fisiologia do tubarão é escasso até o momento, e seus resultados de melhoria são obrigatórios para se adequar às estratégias de proteção e abordagens de manejo do ecossistema”, concluiu.

Os doutores Bernardo Baldisserotto e Ignácio Ruiz-Jarabo no fim do seminário.

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