Seminário trata sobre os processos de estresse dos peixes.

Na segunda-feira, 10 de setembro, o auditório do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/ADAPTA) recebeu mais um dos seus seminários semanais. O convidado da semana foi o doutor Juan Miguel Mancera (UCA) com o tema: “Os peixes sofrem estresse? Implicações econômicas para a aquicultura”.

Doutor Mancera em seu seminário.

Recebendo o apoio do Ministério da Ciência e Inovação, Universidades do Governo Espanhol e empresas voltadas à aquicultura, o doutor Juan Mancera da Universidade de Cadiz (UCA) iniciou as pesquisas há 20 anos com o foco em dois pontos, sendo o primeiro voltado para as ciências básicas, que consistia em observar a reação do peixe sob efeito de estresse.

O outro ponto está relacionado a aplicação da informação, como o doutor Mancera explicou: “O aspecto aplicado consiste na possibilidade de utilizar o conhecimento gerado à prática aquícola e, assim, contribuir para o desenvolvimento econômico do meu país”.

O seminário tratou sobre os processos de estresse dos peixes, onde Mancera exibiu os conceitos voltados para a tensão, regulação endócrina, alterações fisiológicas, que induzem a ativação do sistema de estresse em variados processos fisiológicos em peixes de viveiro (seu crescimento, reprodução, sistema imunológico entre outras variáveis), e mecanismos para moderar o estresse. Os principais peixes que o grupo de Mancera trabalha na Espanha são: sargos (Sparus aurata), linguado (Solea senegalensis) e corvina (Argyrosomus regius).

A respeito das técnicas metodológicas para a pesquisa, Mancera relatou da seguinte forma: “Nosso grupo de pesquisa aborda o problema do estudo do sistema de estresse de um ponto de vista global, isto é, usando diferentes abordagens metodológicas para estudar o processo de estresse em teleósteos: estudos de crescimento, análise de atividades enzimáticas por técnicas bioquímicas, estudos de expressão gênica, entre outros”, comentou Mancera.

De acordo com Mancera o objetivo de sua pesquisa era compreender o sistema de estresse em teleósteos (peixes ósseos): “Além disso, nosso objetivo é aplicar os conhecimentos adquiridos sobre peixes de aquicultura, com o intuito de atenuar os níveis de estresse dos peixes na piscicultura, aumentando seu bem-estar animal e, consequentemente, os benefícios econômicos da empresa de aquicultura”, contou.

Até o momento, Mancera e colaboradores puderam alcançar três pontos principais, como o próprio pesquisador explica: “Em um primeiro ponto, alcançamos uma série de ferramentas metodológicas específicas (clonagem de fatores e hormônios envolvidos no eixo do estresse) de diferentes espécies para o estudo desse processo; por seguinte, analisamos o efeito de diferentes fatores sobre a ativação do sistema de tensão nestas espécies e o seu impacto sobre o processo de crescimento, metabolismo e osmorregulação e, por último, estamos testando diferentes opções para reduzir os níveis de estresse em peixes de viveiro e, em paralelo, aumentar o bem-estar deles”, contou.

Por fim, Mancera explica o que pretende para o futuro de suas pesquisas: “Espero e confio que os conhecimentos adquiridos possam ser transferidos para o setor da aquicultura, com o objetivo de melhorar a atividade aquícola. Além disso, estamos nos concentrando no estudo das chamadas dietas funcionais para melhorar a qualidade dos peixes cultivados, aumentando seu crescimento e bem-estar animal”, concluiu.

Os doutores Adalberto Val e Juan Mancera.

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