Anestésicos são estudados para melhoramento na aquicultura.

Como em toda segunda-feira, o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta) recebeu um pesquisador visitante para apresentar o seminário semanal. O palestrante convidado foi o doutor Bernardo Baldisserotto que apresentou a sua pesquisa intitulada: “Uso de anestésicos na aquicultura”.

Doutor Bernado Baldisserotto apresentando o seminário.

Recebendo apoio do projeto ADAPTA, CAPES, CNPq e FAPERGS, as pesquisas voltadas a este tema começaram em 2008, a partir da oferta de um docente da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) que almejava estudos voltados para testes com extratos de plantas. Posteriormente o trabalho continuou e a equipe da qual o doutor Baldisserotto fazia parte continuou trabalhando em busca de óleos essenciais com efeitos anestésicos para os peixes.

Com o intuito de trabalhar com substâncias anestésicas e que não exigisse um tempo de espera (depuração) do peixe, a fim de também, substituir as substâncias sintéticas por naturais, Baldisserotto e colaboradores foram em busca de extrair óleos essenciais das plantas.

O profissional também explicou aos que estavam presentes a diferença de analgesia, sedação e anestesia. A primeira busca diminuir a dor, os sedativos são usados para acalmar, e a anestesia profunda torna o indivíduo insensível a qualquer estímulo.

Uma vez que os óleos sintéticos causam efeitos colaterais nos animais, os pesquisadores foram em busca de produtos com menor efeito nocivo para a anestesia. A partir da extração de óleos essenciais das plantas puderam explorar novas práticas e produtos.

“Vários dos óleos testados apresentaram bons efeitos anestésicos para peixes e camarões, sendo que em peixes muitas vezes os efeitos colaterais ou sobre a redução de estresse variam de espécie para espécie. Alguns óleos essenciais não alteram o sabor e odor do filé do peixe, o que possibilita que os peixes sejam abatidos sem que seja necessário um período de depuração”, contou Baldisserotto.

Até o momento os resultados estão mostrando progresso: “Temos mais de 15 óleos essenciais, pelo menos 6 substâncias isoladas com boa atuação anestésica em peixes, e dezenas de artigos publicados”, relatou o pesquisador.

Para o futuro Baldisserotto explicou quais são os próximos passos de sua pesquisa: “Os próximos trabalhos deverão continuar a busca de novos óleos e substâncias isoladas como anestésicos, aprofundar estudos sobre o mecanismo de ação desses óleos, e estudar em outros animais aquáticos além de peixes, como crustáceos e moluscos”, concluiu.

Os pesquisadores Bernardo Baldisserotto (UFSM) e Vera Almeida-Val (INPA/LEEM).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *