Ciência em Ted: A sociedade ajustando suas prioridades.

Na segunda-feira 13 de agosto, o auditório do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta), reuniu seus pesquisadores para assistir ao Ted Talks do cientista político, Bjorn Lomborg, o qual tratou sobre prioridades globais maiores que as mudanças climáticas.

“O ponto não é priorizar os problemas, mas sim, priorizar as soluções desses problemas”, iniciou Lomborg em sua apresentação. O cientista começou sua apresentação instigando o público a pensar sobre essas questões e também a pontuar quais seriam as principais soluções para os problemas mundiais e quais poderiam ficar no fim da lista.

Professora Vera Almeida-Val comentando sobre a apresentação de Bjorn Lomborg.

A pesquisadora Vera Almeida-Val comentou com os alunos sobre as prioridades que os brasileiros deveriam levar em conta: “Saneamento básico, escolher bons governantes, questões de segurança são temas importantes, mas se pararmos para pensar, nossa prioridade está na educação”, disse.

Com essa ideia de priorizar os problemas afim de evitar outros, o economista Lomborg falou sobre o Consenso de Copenhague, projeto iniciado em 2004 pelo próprio Bjorn Lomborg com o objetivo de combater os problemas da sociedade: “O projeto conta com os melhores economistas do mundo, a razão dos membros serem economistas é simples,  porque se você quer falar sobre malária provavelmente irá atrás de um expert, ou sobre clima falará com um climatologista, mas se você quer saber com qual dos dois devemos lidar primeiro, não pode perguntar a nenhum deles porque não é o que fazem, isso é o que um economista faz”, explicou Lomborg.

O economista dinamarquês debate sobre como os problemas advindos das mudanças climáticas não deveria ser um dos principais focos de investimento, ele rebate falando que todo esse dinheiro deveria ir para educação, saneamento e saúde, onde todos seriam beneficiados a curto prazo, e só então, depois, pensar em como resolver os impasses da mudança climática.

Ainda sobre essa ideia, Lomborg comenta: “Não dá para solucionar todos os problemas globais porque são muitos, mas, devemos focar nos problemas certos, aqueles onde nós podemos trazer muitos benefícios ao invés de poucos (…) O ponto é que, quando falamos em salvar pessoas ou ajudar pessoas em Bangladesh no ano 2100 abordando mudanças climáticas, não estamos falando de um bangladeshiano pobre, mas falamos de um holandês razoavelmente rico que se beneficiará com isso, logo, o nosso objetivo é gastar muito dinheiro e salvar poucas pessoas. Ou, por outro lado, queremos ajudar agora, uma pessoa pobre do Bangladesh a quem podemos ajudar de forma bem barata, direta e eficiente?”.

O pesquisador também fala sobre a razão das pessoas falarem tanto de mudanças climáticas, e em como o seu projeto entra nisso: “Isso ocorre porque a mudança climática dá boas imagens, como no filme ‘O dia depois de amanhã’, mas não esperem ver o Brad Pitt abrindo latrinas no chão da Tanzânia ou algo assim porque isso simplesmente não daria um bom filme, então, de muitas formas eu acho que o Consenso de Copenhague e toda a discussão de prioridades é uma defesa para os problemas mais chatos, para certificar que entendamos que não é para nos fazer sentir melhor, não é para fazer as coisas que atraem mais a atenção da mídia, e sim para os lugares onde possamos trazer o máximo de benefícios”.

Por fim, Lomborg traz a reflexão de que em um mundo ideal seria ótimo poder resolver todos os problemas, todavia, na realidade isso não é possível, então por que não investir no que está ao alcance de todos?

“Eu tenho esperança que existe um caminho pela frente o qual nos leva a começar a pensar sobre as prioridades, é claro que em um mundo ideal resolveríamos tudo, mas como não podemos, então devemos pensar em por onde começar, e eu vejo o Consenso de Copenhague como um processo disso”. Concluiu Lomborg.

Para conferir essa apresentação, clique aqui.

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