Entenda a importância da regulação de peptídeos em teleósteos.

Ocorreu na segunda-feira, 16 de julho, o seminário semanal do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta). O tema da semana foi ministrado pela professora Talita Laurie Lustosa do Carmo com o tema intitulado: “Regulação endócrina do apetite em teleósteos”.

A professora Talita Carmo em sua apresentação.

Recebendo apoio da CAPES, FAPEAM e do projeto ADAPTA (CNPQ/FAPEAM), o trabalho da professora Carmo teve como base as pesquisas endócrinas feitas com mamíferos e peixes, e partindo dessa ideia, o tema escolhido foi baseado na necessidade de entender a regulação da ingestão de alimento e do metabolismo energético em teleósteos: “Esses dois pontos chaves são bases para a sobrevivência dos indivíduos e consequente perpetuação da espécie”, explicou Carmo.

Segundo a professora Talita Carmo, sua pesquisa possuiu três objetivos principais: Verificar se as sequências do RNAm de quatro peptídeos reguladores do apetite do tambaqui (os Neuropeptídeo Y: NYP, grelina: GHR, colecistoquinina: CCK e leptina: LEP), possuem alta similaridade com as sequências de outros peixes da ordem Characiformes; a segunda etapa foi descrever a distribuição tecidual dos quatro peptídeos para responder se os mesmos são mais expressos no sistema nervoso central ou em tecidos periféricos; e, por fim, avaliar se o aquecimento global (com consequente aumento da temperatura e níveis de CO2 na água) aumenta a expressão dos peptídeos orexígenos reguladores do apetite e reduz a expressão dos peptídeos anorexígenos, levando ao aumento da ingestão de alimento e aumento do metabolismo energético.

Com início no primeiro semestre de 2017, a pesquisadora explicou os percursos metodológicos que foram adotados: “O trabalho se baseia na validação de primes degenerados do RNAm dos peptídeos reguladores do apetite, sequenciamento desses e quantificação da sua expressão gênica”.

Durante a apresentação, a pesquisadora relatou a importância da regulação desses peptídeos, como por exemplo, em épocas de privação de alimento, regulando o metabolismo em períodos de migração e reprodução: “O curimba, por exemplo, é um peixe que consegue ficar até 4 semanas sem se alimentar com poucas alterações fisiológicas em seu organismo, isso acontece principalmente por causa da regulação do metabolismo a partir da ingestão de alimentos”.

Sobre o andamento do projeto, Carmo, que escolheu o tambaqui para estudar, comentou: “Até o momento foi realizado o alinhamento e desenho dos primers das sequências dos peptídeos reguladores do apetite através de um experimento para avaliar o efeito do aumento da temperatura e níveis de CO2 na água sobre esses peptídeos, seguindo as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)”.

Por fim, Talita Carmo contou sobre o que podemos esperar para o futuro dos seus estudos: “Minha pesquisa irá contribuir com a compreensão dos mecanismos fisiológicos do tambaqui usados para o controle da ingestão de alimento e balanço energético, de importância ecológica e também econômica. Mais especificamente, pensando no aquecimento global, nós conseguiremos entender melhor como os tambaquis irão responder às mudanças futuras da temperatura e dos níveis de CO2 do planeta. Adicionalmente, este estudo também poderá ser utilizado em muitas pesquisas futuras envolvendo, por exemplo, a reprodução em cativeiro do tambaqui ou sua exposição a contaminantes ambientais”.

Talita Carmo recebendo o certificado de participação pelas mãos do doutorando Renan Amanajás.

 

 

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