Ciência em Ted: Pesquisador relatou sobre a importância de vivenciar a ciência.

Na segunda-feira, 23 de julho, os pesquisadores do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta), assistiram ao Ted Talks do biólogo e cinegrafista Mike deGruy que falou sobre sua experiência com os polvos, intitulado: “Hooked by an Octopus”, seguido de comentários da doutora Carolina Leitão.

Doutora Carolina Leitão comentando sobre o Ted Talks do pesquisador Mike DeGruy.

Mike deGruy iniciou sua apresentação contando sobre sua primeira experiência em contato com o polvo quando tinha apenas 6 anos de idade. Esse contato com o animal instigou o cinegrafista a querer conhecer ainda mais o molusco.

O profissional se graduou em zoologia marinha, e em seguida entrou no programa de pós-graduação da Universidade do Havaí onde teve a oportunidade de trabalhar no aquário Waikiki, todavia, deGruy informou sobre seu vínculo com os invertebrados: “O aquário tinha muitos tanques para peixes grandes, mas não muitas exibições de invertebrados, e sendo eu um amante de invertebrados, pensei: bem, basta que eu vá em campo e capture estes animais maravilhosos que vinha estudado e os traga aqui”, contou.

A primeira experiência de deGruy como cinegrafista foi ainda em ambiente acadêmico: “Um homem nos chamou para coletar alguns animais para ele no Pacífico Sul, e, no trajeto, nos deu duas filmadoras 16mm com o intuito de fazermos um filme sobre a expedição”.

A partir dessa prática com o manuseio da câmera, Mike deGruy ficou encantando com a filmagem, e então resolveu sair de sua área acadêmica para se aventurar como cinegrafista. No decorrer de seu Ted ele conta como isso foi bom, mas também que o embasamento teórico que tinha o ajudou bastante: “Tudo que eu aprendi foi realmente útil, se você é um cinegrafista da vida selvagem e vai a campo filmar animais, especialmente o comportamento, ajuda se você tiver uma base teórica sobre quem são esses animais”, explicou deGruy.

A doutora Carolina Leitão destacou um ponto importante na apresentação de deGruy: “Precisamos gostar do que fazemos, é importante nessa vida acadêmica estar sempre gostando do que está fazendo. E a partir desse ponto, podemos destacar o aspecto científico: a partir desse primeiro contato com o polvo, ele levou a vida dele para fazer descobertas e defesas do oceano”, relatou.

Como o nome de sua apresentação diz, ser “viciado em polvos” e também poder filmá-los, foi a chance do pesquisador-cinegrafista poder conhecer ainda mais sobre esses moluscos. Em um dos momentos do Ted Talk, deGruy também relata a experiência de desbravar uma parte da Cordilheira Meso-Oceânica, que são montanhas submersas com 65 mil quilômetros de extensão, perpassando todo o globo.

Nesse ecossistema marinho, o pesquisador conheceu o desfiladeiro e seus vulcões ativos, ambiente esse que ele comparou ao parque de Yellowstone: “Você está olhando para uma terra nova, sendo criada bem diante dos seus olhos, e sobre seus cumes existem de 3 a 4 mil metros de água, criando uma pressão enorme, forçando água por entre as rachaduras em direção ao centro da Terra, até atingir a câmara magmática onde se torna superaquecida e supersaturada com minerais e é ejetada para fora como um gêiser em Yellowstone, e de fato, essa área é como todo o parque nacional de Yellowstone com todas as suas atrações”, comparou deGruy.

Além dessas observações sobre o ecossistema marinho, deGruy também trouxe à sua apresentação uma advertência para a sociedade ao contar sobre como zonas onde os vulcões não ativos acabam virando locais fantasmas, e onde não tinha nada criam-se novas áreas vivas onde existem peixes e todo um habitat ativo. E isso não ocorre apenas nas profundezas causadas por vulcões; o impacto dos seres humanos na vida aquática também é relevante. Esse fator é abordado quando deGruy comenta acerca de precisar filmar em algum lugar e quando chegou nesse determinado local tudo estava morto, no entanto também ocorreu o contrário, onde pode ver um ambiente poluído tornar-se vivo e saudável para existir vida ali.

“Ele (deGruy) viu que a comunidade despertou para cuidar do ambiente, e aí podemos nos perguntar para fazer uma autoanálise: O que eu tenho feito com a minha pesquisa? O que eu posso contribuir com isso? Qual é o meu desafio? Que tipo de resposta eu quero ter, tanto para a ciência quanto para o lado pessoal? Esses são pontos que devemos destacar. Também podemos depreender desse vídeo que podemos fazer a diferença e, desde que haja dedicação, o êxito e o sucesso vão chegar”.

Ao fim da sua apresentação, o cinegrafista deixa um recado para o público: “Não olhe para as maiores questões do mundo, olhe para o seu próprio quintal, olhe para o seu coração e veja o que realmente não está dando certo onde você vive e conserte. Crie uma zona de restabelecimento em sua vizinhança e encoraje os outros a fazer o mesmo (…) O que você pode fazer que é mais responsável do que está fazendo agora? E faça isso”, aconselhou.

Para também assistir ao Ted Talks de DeGruy clique aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *