Entenda como as áreas de inundação influenciam na assembleia dos peixes.

Como em toda segunda-feira o auditório do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta), recebeu um convidado para falar sobre áreas de pesquisa envolvendo a ciência. O professor Carlos Edwar de Carvalho Freitas trouxe para o LEEM seu trabalho intitulado: “A diversidade de peixes e a disponibilidade sazonal de habitats nas planícies aluviais da Amazônia”.

Professor Carlos Edwar Freitas apresentando ao seu seminário.

Dando início ao seminário, o professor Carlos Freitas contextualiza pesquisas já feitas com o habitat e o peixe, desde suas riquezas relacionadas a floresta, e então, expondo o seu trabalho a partir da visão dos peixes que vivem em lagos de várzea, onde sofrem alterações ao decorrer do ano e como isso influencia na riqueza das espécies: “Nesse artigo resolvemos trabalhar com as variáveis que compõe as paisagens”, contou Freitas.

Os peixes também se tornaram uma das variáveis do estudo, que foram classificados e analisados os pontos de riqueza da espécie, a riqueza por guilda trófica, por características de comportamento migratório (indivíduo residente ou migrador) e posição da coluna d’água: “Como toda literatura ecológica diz que existe uma relação entre o número de espécies e o número de indivíduos, incluímos o número de indivíduos amostrados como também uma variável”, apontou o professor.

Para análise dos dados, uma das ferramentas usadas foi o modelo linear generalizado, com o intuito de ver a relação entre a assembleia de peixes e a área de cada componente da paisagem para cada buffer, além dos cálculos: “Nós usamos a ‘explained deviance’, fórmula da qual divide a proporção de variância explicada pelo modelo, menos a proporção de variância nula explicada por uma hipótese nula que seria de ausência de relação entre tudo, pela própria variância do modelo”, disse Freitas.

Os resultados da pesquisa de Freitas e colaboradores mostrou que os arbustos alagados foram a variável que tiveram maior influência sobre a riqueza de espécies na seca: “A nossa explicação para isso foi justamente que os arbustos alagados constituem ambientes estáveis, com influência no conjunto de espécies, sendo mais importantes que as macrófitas flutuantes até porque as mesmas ao longo do ano diminuem por conta do ciclo do rio”, disse.

Na época de cheia os dados mostraram mais de uma variável determinante na paisagem: “Os dados apresentam uma aleatoriedade maior, é provável que efetivamente no período de cheia a capacidade de dispersão dos peixes pelo ambiente propicie essa influência de uma determinada paisagem, além do que nessa época algumas espécies que não estavam presentes na seca aparecem e elas também estão mais flexíveis ao tipo de habitat disponível”, concluiu Freitas.

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