Ciência em Ted: Conheça os atletas aquáticos.

Durante a tarde da segunda-feira, 11, os pesquisadores do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta), puderam assistir ao Ted Talks da doutora especializada em fisiologia dos peixes, Jodie Rummer, com o tema: “Athletes of the Great Barrier Reef”, e, comentários do professor Adalberto Val.

O Ted Talks da doutora Rummer mostra como a sociedade é fascinada por atletas de elite, como no caso de Usain Bolt, velocista jamaicano que alcançou o recorde de 100 metros percorridos em apenas 9,5 segundos. Todavia, a questão que Rummer foca em sua palestra está relacionada a outros atletas: os peixes, e entre esses o atum que percorre essa mesma distância em apenas 3 segundos.

Esses peixes estão distribuídos entre mais de 28 mil espécies, constituindo mais de 50% de todas as espécies dos vertebrados. O desempenho desses indivíduos em comparação com os humanos, tem formas de preparo semelhantes, como o caso do uso de oxigênio para produção de energia, mas também coexistem diferenças: “Se o peixe facilita a tomada de oxigênio, afrouxando as brânquias para entrar mais ar, ele corre o risco de se desidratar perdendo íons”, comentou o professor Val.

Esses indivíduos precisam se esforçar muito mais do que um ser humano para a obtenção do oxigênio. Pelo fato de serem animais aquáticos, a quantidade de oxigênio presente em seu meio é muito menor do que para quem vive na terra e, consequentemente, o esforço desses animais é maior: “Os peixes precisariam de 30 baldes de água para conseguir a mesma quantidade de oxigênio que teríamos em apenas 1 balde de ar”, esclareceu Rummer.

A motivação de sobrevivência nos peixes é uma questão biológica forte. Na vida dos salmões por exemplo, motivados para manter a espécie, esses indivíduos percorrem milhares de quilômetros para o mesmo lugar onde nasceram, com intuito de se reproduzirem pela última vez, pois logo após esse evento os animais morrem.

Assim como Rummer, pesquisadores do LEEM/Adapta estudam essas espécies e, foi possível notar afinidade com os fatores que ela aponta em sua apresentação: “Podemos notar que as características que ela aponta em ambiente marinho também existe em nosso ambiente de água doce, a partir do efeito das mudanças climáticas sobre esse ambiente, como o processo de acidificação, aquecimento do sistema e questões da qualidade da água”, explicou Val.

Esses pontos afetam diretamente o desempenho dos peixes, reduzindo o seu potencial e facilitando a predação. Rummer comenta que apesar da capacidade evolutiva e adaptativa durante 400 milhões de anos, os animais estão sofrendo cada vez mais estresse com o aumento de temperatura nas águas, resultando em um maior esforço do indivíduo para a oxigenação básica e diminuição da atividade natatória. Isso pode ser observado nas brânquias de algumas espécies, que ficam cobertas por muco e células protetoras.

A acidificação das águas diminui o seu pH resultando em um maior custo de energia a esses animais, que acabam tendo um desempenho atlético inferior ao que deveriam oferecer. Rummer relata que todos esses efeitos são um conjunto de consequências, e que assim como os seres humanos idolatram a capacidade dos seus semelhantes em serem atletas, os mesmos deveriam começar a enxergar o potencial dos peixes e também, manter uma qualidade de vida para que essas espécies sejam capazes de evoluir com qualidade.

Uma das pesquisadoras atuantes dentro do LEEM, Vanessa Leiko O. Cardoso, relatou o que achou da apresentação: “Eu gostei muito quando ela compara os nossos atletas olímpicos com os peixes, e gostei mais ainda como ela chama a nossa atenção para darmos mais importância a esses atletas da natureza. Já são milhões de anos que os peixes estão sob a força evolutiva, e com certeza eles têm muito a ensinar para nós humanos,” concluiu.

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