Solução Ambiental: pesquisadores buscam bactérias capazes de degradar o petróleo em solos contaminados.

Como todas as segundas-feiras, no dia 28 desse mês, o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta), recebeu um convidado para ministrar o seminário da semana. O palestrante da vez foi o doutor Luiz Antonio de Oliveira que trouxe para o público o tema: “Biorremediação de solos amazônicos contaminados com petróleo ou seus derivados”, que recebeu incentivo da FINEP, Petrobras, CNPq e FAPEAM.

Doutor Luiz Antonio apresentando o seminário.

Para contextualizar, o doutor Luiz Antonio informou que o petróleo possui partes orgânicas e inorgânicas. Enquanto na primeira parte é possível encontrar matérias advindas de animais, vegetais entre outros recursos, a parte inorgânica é composta de metano, por exemplo. A indústria petroquímica caracterizada por trabalhar com esse material, teve sua chegada no Brasil, mais especificamente em São Paulo, em 1950, e até hoje é um dos mercados de maior potência econômica.

O petróleo é um material composto de diversos produtos como a gasolina, diesel entre outros compostos químicos, muitos deles, com propriedades nocivas ao ambiente e ao ser humano: “Quando o petróleo é quebrado, seja por processos biológicos ou químicos, ele pode liberar HPAs, e essas substâncias causam sérios problemas, como câncer no ser humano. Vale ressaltar que às vezes não é o petróleo em si o maior causador de danos, mas sim os seus componentes que foram transformados”, relatou o doutor Oliveira.

Acidentes com vazamentos de petróleo, como o do golfo do México, criam uma preocupação ambiental acerca desse produto. Pensando nessas causas, o processo de biorremediação existe para que o petróleo seja degradado o mais rápido possível e transformado em compostos orgânicos simples, como o dióxido de carbono.

“O tratamento de solo para a descontaminação depende das condições físicas, químicas e biológicas desse ambiente, por exemplo, se for arenoso o petróleo pode penetrar com mais facilidade no solo e ficar mais tempo retido; caso seja argiloso, pode ficar na superfície, e esses fatores também dependem da concentração dos contaminantes”, explicou Oliveira.

Para os estudos, foram realizados experimentos de laboratório isolando nos solos, bactérias (rizóbios) com a capacidade de degradação de petróleo; posteriormente, essas bactérias foram testadas em diferentes condições de meios de cultura e solos, onde foram adicionados petróleo, gasolina ou óleo diesel.

“Para quebrar o petróleo, o microrganismo precisa da presença de macronutrientes, como o enxofre, fósforo, cálcio, magnésio, nitrogênio, bem como micronutrientes, como zinco, cobre, manganês entre outros elementos, sendo essenciais para que essa quebra ocorra rapidamente”, disse Oliveira.

Por meio de comparações de solo (havendo o cenário contaminado pelo óleo e outro sendo uma amostra limpa), os cientistas notaram que a partir do sétimo dia existiu uma diferença de população das rizobactérias. Os resultados mostraram que, no solo contaminado as bactérias haviam se proliferado mais do que nas amostras do cenário limpo, expondo que elas estavam usando o petróleo para seus crescimentos e, depois de três semanas, essas bactérias degradaram uma grande quantidade do contaminando colocado no solo (petróleo, óleo diesel ou gasolina) como fonte do próprio crescimento.

Por fim o doutor Luiz Oliveira concluiu: “Esperamos em breve, ter um pool de bactérias e meio com nutrientes que possam ser usados para a biorremediação de solos contaminados por petróleo e seus derivados, acelerando o processo de limpeza do meio ambiente”.

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