Compreenda a taxa de mortalidade das árvores de igapós a jusante da Usina Hidrelétrica de Balbina.

No dia 07 deste mês, ocorreu mais um dos seminários semanais no auditório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta). Ministrado pelo doutor Jochen Schöngart, o tema da semana foi sobre a tese intitulada: “Distúrbios em florestas alagáveis de igapó na Amazônia Central”.

Doutor Schöngart iniciou sua apresentação contando que, dependendo da região geográfica onde os rios da Amazônia Central drenam, é possível observar as diferentes características morfológicas e químicas, como os rios de água branca que transportam sedimentos ricos em sais minerais, enquanto os rios de águas pretas são ricos em materiais orgânicos.

O processo hidrológico desses rios pertencentes à Amazônia Central é caracterizado por uma inundação anual, passando por um período sazonal de seca e outro de cheia previsível. Este pulso monomodal de inundação se deve à sazonalidade de chuvas nas enromes cabeceiras: “Nas áreas de igapós temos 600 espécies arbóreas vivendo ali”, explicou o doutor Schöngart.

O pico da cheia acontece no mês de junho, e a seca ocorre durante o final de outubro e início de novembro. As espécies arbóreas podem ficar submersas por longos períodos, e para sobreviverem ao longo desse período é necessário que ocorra mecanismos de adaptação (sejam fisiológicas, bioquímicas entre outras).

A principal área de estudo dessa tese foi o igapó a jusante da usina hidrelétrica de Balbina, no Rio Uatumã (afluente esquerdo do Rio Amazonas), o qual teve sua formação no período pré-cambriano. Em 2012 os pesquisadores começaram a mapear as árvores de espécie Macrolobium acaciifolium, que já se encontravam mortas para saber sobre possíveis causas da morte.

Durante as inundações ocorre uma taxa reduzida no crescimento em diâmetro das árvores: “As árvores crescem ao longo da fase da seca, e, quando as florestas começam a serem alagadas devido às condições anóxicas, o crescimento para”, contou o doutor Schöngart.

Os pesquisadores então, coletaram amostras de árvores mortas nos igapós a jusante da barragem de Balbina com o intuito de saber em que ano aqueles indivíduos morreram. Para calcular tal fator, foi preciso de desenvolver uma cronologia de anéis de crescimento exatamente datada utilizando á. Após disso, as curvas de anéis de crescimento obtidas dos indivíduos mortos foi interdatada com a cronologia e com isso foi possível de datar o ano da morte destas árvores pelo ano em que o ultimo anel de crescimento foi formado. Esta datação foi validada por um segundo método independente (datação com radiocarbono da celulose do último anel de crescimento formado).

Relacionando o período em que as árvores morreram com dados da estação hidrológica Cachoeira da Morena (Agência Nacional de Águas – ANA) ficou evidente que as árvores morreram em consequência das alterações do pulso de inundação induzidas pela operação da usina hidrelétrica resultando em inundações durante anos consecutivos.

Doutora Vera Val entregando o certificado de participação ao doutor Jochen Schöngart.

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