Seminário do LEEM trata da diferença na assimilação do detrito por espécies de peixes amazônicos.

Na segunda-feira, 09 de abril, ocorreu mais um seminário no auditório do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM/Adapta). O tema foi apresentado pela doutoranda Thatyla Farago sobre um capítulo de sua tese intitulada: “Atuação de enzimas endógenas e exógenas na digestão e assimilação do recurso alimentar por espécies detritívoras”.

Através do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PSDE), financiado pela CAPES, a doutoranda foi para a Universidade da Califórnia – Irvine, onde ficou por 5 meses. Supervisionada pelo doutor Donovan P. German, Farago teve a oportunidade de fazer análises enzimáticas.

Doutora Thatyla Farago ministrando a palestra semanal do LEEM.

Os peixes detritívoros (animais que se alimentam de matéria degradada ou morta), em especial os que compõem a família Curimatidae (Characiformes), são as espécies mais representativas em termos de biomassa em ecossistemas neotropicais, chegando a 50% da biomassa total da ictiofauna em rios da América do Sul.

Para contextualizar a pesquisa, a doutoranda contou que existe uma elevada abundância de biomassa sustentada por um recurso alimentar (o detrito) pobre em nutrientes, porém abundante e ilimitado. Apesar do detrito ser heterogêneo, quando os estudiosos fazem a análise da dieta desses peixes, não conseguem notar diferenças no que foi ingerido, nem macroscopicamente ou microscopicamente.

“O foco central da minha pesquisa foi entender o papel do detrito como sustentador de uma elevada diversidade e abundância de peixes e, para isso, utilizei técnicas que me permitiram verificar a utilização desse recurso pelos animais, possibilitando identificar quais estratégias são adotadas pelas espécies para extrair o máximo possível de nutrientes e energia do recurso alimentar” explicou Farago.

No capítulo apresentado, a pesquisadora utilizou técnicas de análise enzimática no trato digestório para determinar quais enzimas do peixe, e dos possíveis microrganismos atuam degradando o alimento ingerido e disponibilizando nutrientes para as espécies em questão.

Os resultados dos estudos de Farago mostraram que as quatro espécies analisadas: Potamorhina latior, Potamorhina altamazonica, Psectrogaster rutiloides e Psectrogaster amazônica, assimilam o detrito de maneira semelhante, com algumas variações no consumo de itens secundários (como itens provenientes de quitina, por exemplo), todavia de maneira geral, o principal item alimentar assimilado foi aquele vindo do material vegetal degradado.

Além disso, existe grande atuação da microbiota – residente e de passagem com o alimento – na disponibilização de nutrientes para os peixes que seriam inacessíveis se não houvesse a degradação inicial dos compostos pelos microrganismos.

Por fim, a pesquisadora observou que a categoria alimentar detritívora é complexa. Existem processos fisiológicos endógenos (do próprio peixe) e exógenos (o auxílio da microbiota), além das estruturas morfológicas do trato digestório, que possibilitam que essas espécies absorvam os nutrientes necessários do detrito para sua sobrevivência, e que uma alta eficiência digestiva associada com outros mecanismos ainda não avaliados, possibilitem o sucesso dessas espécies, fazendo com que esses indivíduos se perpetuem e ocupem rios e lagos em grande densidade.

Os doutores Adalberto Val e Thatyla Farago.

 

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