Estrutura Funcional de assembleias de peixes entre as regiões Amazônica e da Caatinga.

Como em toda segunda-feira, no dia 26 de março ocorreu no Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular- LEEM/Adapta, o seminário ministrado pelo doutor Fabricio Beggiato Baccaro (UFAM), trazendo como tema o artigo desenvolvido sob sua orientação pelo MSc. Carlos A. S. Rodrigues-Filho intitulado: “Processos históricos ou condições locais: o que governa a estrutura funcional de peixes de riachos neotropicais de duas regiões biogeográficas? ”

Fabrício iniciou descrevendo como eventos históricos, como incursões marinhas e elevações de cadeias de montanhas moldaram assembleias em ecossistemas terrestres. Quando um local passa por distúrbios contínuos e severos, é provável que ocorra o empobrecimento funcional dessa área, com uma concentração de espécies mais adaptadas ao distúrbio (espécies mais semelhantes).

“Dependendo do nível de distúrbio você pode ter modificações no pool de espécies. Mesmo em igarapés, existem vários estudos que mostram que distúrbios frequentes e intensos resultam em extinção de espécies e na persistência de outras”, comentou Baccaro.

O tema da pesquisa foi baseado em dois biomas neotropicais: o Amazônico e o da Caatinga. No início, essa comparação parecia improvável, entretanto no decorrer dos estudos foi observado como, há milhões de anos atrás, esses dois biomas fizeram parte da mesma bacia; logo, a comparação acerca das espécies entre biomas ficou mais interessante.

Como mencionado, a região da Caatinga sofreu diversos distúrbios, enquanto a Amazônia passou por períodos mais estáveis. A partir dessa observação os pesquisadores buscaram riachos complementares nos dois lugares. “Existem riachos muito parecidos nos dois biomas, seja com fundo de pedra, como em Presidente Figueiredo (Amazônia) ou dos brejos-de-altitude no Ceará”, explicou Baccaro.

A busca por igarapés similares foi crucial para poder avaliar os possíveis efeitos de distúrbios históricos nas assembleias de peixes mais profundamente. Ao final foram selecionados diversos igarapés nos dois biomas com características da água e estrutura (largura, profundidade, cobertura vegetal) bem similares.

Foram medidos 11 traços funcionais dos peixes coletados nos igarapés como a distância do olho e o tamanho da boca. Essas medidas representam características funcionais, como peixes com olhos voltados para cima que costumam comer animais na camada superior da coluna d’água e, portanto, acima deles.

Ao decorrer dos estudos, Baccaro conta que foram calculados os parâmetros de riqueza e equitabilidade funcional de cada assembleia. Esses índices foram comparados em relação ao número de espécies, pelo fato da biodiversidade da Amazônia ser maior que a da Caatinga. A riqueza funcional dos peixes amazônicos foi maior, mas a equitabilidade funcional (evenness) foi similar entre os dois biomas.

Por fim, os cientistas criaram modelos de extinções de espécies e descobriram evidências que na Caatinga existem lugares muito pobres em espécies devido aos distúrbios históricos, enquanto na Amazônia a relativa estabilidade ambiental resultou em maior diversidade funcional na assembleia de peixes ao longo do tempo.

Doutora Vera Almeida e Val junto com o doutor Fabricio Beccaro

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